| Paul Auster: a última coisa que eu queria era me proteger dos riscos da vida |

A vida não é uma natureza morta. Foto por Daria Shevtsova em Pexels.com

Fui e sou apaixonada por muitos “Paul”: o ator, Newman; o Beatle; e tem também o escritor, Paul Auster (foto), que faz aniversário hoje, 3 de fevereiro de 2015. O que me fascina na obra de Auster é o manejo incomparável da escrita. Ele parece um maestro. Gosto também da recorrência de certos temas na sua obra, como as terríveis e adoráveis coincidências que são pregadas por e pelas nossas vidas.  Admiro o escritor ou a escritora que sempre soube que queria escrever, como uma missão. Ou dádiva. Ou sina. Em Da mão para a boca (Hand to mouth), Auster nos conta como foi difícil se manter do ofício de escrever, como ele se posiciona tão firmemente em relação ao caminho que precisou seguir:

Não vou defender as escolhas que fiz. Se elas não foram práticas, a verdade é que eu não queria ser prático. Queria viver experiências novas, conhecer o mundo e me testar, entrar e sair de várias coisas, explorar o máximo possível. Desde que eu mantivesse os olhos abertos, parecia-me que tudo que acontecesse comigo seria útil, me ensinaria coisas que eu não conhecia antes. Se isso parece um método um tanto antiquado, então que seja: jovem escritor despede-se da família e dos amigos e parte para um rumo desconhecido, a fim de descobrir a si próprio. Por melhor ou pior que fosse esse caminho, creio que nenhum outro me teria servido. Eu tinha energia, a cabeça cheia de ideias e pés que não queria ficar parados no mesmo lugar. Como o mundo era grande, a última coisa que eu queria era me proteger dos riscos da vida.

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