Literatura e resistência no Youtube nesta segunda, 30

Literatura e Resistência é o tema da primeira edição do Festival Literário Virtual da Vitória (FLIVI). Tendo como referência e em memória do estudioso Alfredo Bosi, trará debates, palestras e concurso de poesia. Anota aí: minha amiga orientadora e amiga Clarissa Loureiro participará do evento no dia 30 de agosto no Youtube da UNIVISA. Loureiro é especializada no estudo de gênero, identidade e memória. Doutora em Teoria da Literatura, é autora de Mau Hábito (2010), Invertidos (2012) e Laurus (2019).

Foto por Janko Ferlic em Pexels.com

A mesa-redonda da qual Clarissa participará, terá a presença de Marcos Faber, Odailta Alves e Micheliny Verunschk. Lembrando: dia 30 de agosto de 2021, às 19h30, no Youtube da UNIVISA. A gente se encontra lá.

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Das nuances de Jake Gyllenhaal

Tatiana Malansky (Erin) e Jake Gyllenhaal (Jeff) em cena do filme O que te faz mais forte (Stronger, 2017)

Quero e vou escrever sobre Jake Gyllenhaal. Que sobrenome é esse, menino? Veio por parte da sua mãe ou do seu pai? Gyllenhaal entra para a lista em que está Matthew McCougndsdnsjjdsk. Tive que pesquisar o sobrenome de Matthew. É McConaughey. Volto a Jake. Você já assistiu a Donnie Darko?  É da prolífica safra de filmes estranhos. Começa com uma música dez. E JG ainda não sabia como seria considerado um dos melhores da sua geração. Talentoso desde menino, viu? Ontem, vi Stronger, filme lançado em 2017. Trata-se da história de um dos sobreviventes do atentado ocorrido na maratona de Boston. Gyllenhaal é Jeff Bauman. O ator aparece pouco. Explico-me, ele encarna tão bem o personagem que Gyllenhaal surge na medida necessária num papel cheio de nuances emocionais.  Tais sutilezas crescem à medida em que percebemos os obstáculos que serão vencidos pois o povo de Boston trata Bauman como herói. Só que não é bem assim. O papel de Jake se desenvolve bem porque tem o suporte fundamental das atrizes Tatiana Malansky e Miranda Richardson. A primeira faz o papel da supernamorada, Erin Há uma cena de tirar o fôlego com Tatiana – não vou contar porque você precisa ver para crer.

Stronger é baseado no romance de mesmo nome de autoria de Jeff Bauman e Bret Witter. Película roteirizada por John Pollono e dirigida por David Gordon Green. Aqui no Brasil, foi traduzido para O que te faz mais forte.

No dia em que escrevo, 15de agosto de 2021, Stronger ainda não está na Netflix nem no Prime. Pode-se alugar no Youtube.

Obrigada por me ler. Um abração grandão em você. Cuide-se!

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Arte é mergulho

Nitimur in vetitum ressoava na cabeça de Mariana enquanto caminhava em direção à galeria em que haveria, veja só, sua própria vernissage. Seria sua noite e ela não sabia se aquelas vinte telas penduradas traduziam bem a sua alma. E daí se não expressarem o que tentei reproduzir? Eu trabalhei. Eu produzi. Não esperei a inspiração chegar. Expirei. Suei. E estou na minha primeira exposição individual. Nitimur in vetitum. Temos tanta inveja dos artistas. Os artistas se permitem. Não há limites para a imaginação. Criadores não têm medo de naufragar. O naufrágio alimenta a busca. Todo artista busca. O quê? Não importa. Nitimur in vetitum. O escritor brasileiro José Castello disse que enviou um conto de sua autoria para Clarice Lispector. Passou-se muito tempo e sem obter nenhuma resposta. Um dia, o telefone toca e era CL:

— Eu quero dizer que o senhor é um homem muito medroso e, com medo, ninguém escreve! 

Clarice bate o telefone.

Nitimur in vetitum. O espanto move poetas. Finitas, as mãos cosem palavras. São doces as infinitas possibilidades da queda. Cobertas de sorvete as paredes do abismo da criação. Cospe flores mofadas quem desistiu de si mesma. Existirmos, a que será que se destina? Eu não desisti de mim mesma. Sofri. Mas quem não sofreu? É que a gente se interrompe. O tempo todo. Interrompidas somos, mas continuamos inteiras. I´ll miss myself so bad when I die. 206 é a quantidade de ossos do corpo humano. Mariana viu essa informação numa palavra-cruzada. Gosta de filmes e-s-t-r-a-n-h-o-s. Curte David Lynch. Nitimur in vetitum.

Foto por Antonio Sokic em Pexels.com

Marc Chagall e a atração louca pelo voo. Eu sei que na palavra dEUS há vários EUS. Dia chuvoso. Rugosa a vida das aranhas. Uma borboleta azul começou a paquerar uma coruja. Cerzideira, a formiga observa o magnífico encontro.  Lancei-me ao proibido. Porque é isso que os artistas fazem: vão em direção ao proibido. Vou sentir tanta falta de mim quando eu morrer, afirmou Macabéa, personagem de Clarice Lispector, no esplendoroso A hora da estrela. Foi Ovídio quem escreveu: Nitimur in vetitum. Significa lançamo-nos ao proibido; o que me lembra a epígrafe escolhida por James Joyce no seu Retrato do artista quando jovem: Et ignotas animum dimittit in artes. Foi citada em latim, é de autoria de Ovídio. Em inglês, traduzido assim: And he turned his mind to unknown arts. Para o português, eu verteria deste jeito: E ele se voltou para artes desconhecidas.   

José Castello parou de sentir medo?

Enfim, bora escrever. Seremos intrépidos.

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