Velhice e meninice se confundem

– Revisto-me de espelhos. Procuro o que mais me define. Foto por cottonbro em Pexels.com

— Você é índia branca que cupim não rói. Ela contou que esse foi o maior elogio que recebera em toda sua vida. Agora, aos 79 anos, olha-me com um manto de um azul profundo. Seus olhos são duas cortinas. Consigo captar o pulsar da vida. Bem humorada, diz que passou um mês na casa de alguém:

— Vieram me buscar, sabe? Fui para uma casa bonita, um pouco longe daqui. Me trataram tão bem. Me deram tantos mimos. Faziam e traziam o meu café na cama, veja só.

— E a senhora não consegue se lembrar quem eram?

— Não. Mas isso não importa. O que importa mesmo é que passei uns dias maravilhosos com um casal bonito que tinha um filhinho – será que era meu neto? Porque eu bem sei que tenho uma filha e um filho, disso tenho certeza. Disso eu consigo lembrar, os meus filhos estão marcados em mim.

Velhice e meninice se confundem? Porque há uma alegria inerente a certos idosos. Uma alegria inerente às crianças.

Mariana tem Alzheimer ou ficou caduca, como outrora se dizia do idoso que esquecia de coisas e, principalmente, de pessoas.

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